Vinhedo, SP — Um modelo de gestão de resíduos na logística permite que o centro de distribuição da AGV em Vinhedo elimine completamente o envio de materiais para aterros sanitários. A operação processa 1.250 toneladas anuais com um sistema em que a receita da venda de materiais recicláveis financia o coprocessamento dos resíduos orgânicos, tornando o modelo autossustentável.
O diferencial do projeto está na abrangência da responsabilidade assumida pela empresa. A AGV gerencia não apenas os resíduos da própria operação, mas também materiais provenientes das atividades dos clientes dentro do armazém, incluindo papelão, plástico, madeira e gelo gel.
Essa abordagem permite que os clientes da AGV melhorem seus indicadores ambientais através do serviço logístico contratado, tornando mais sustentável toda a cadeia de suprimentos.
Gestão de resíduos autossustentável
A estrutura desenvolvida para o projeto é economicamente viável e autossuficiente. A receita obtida com a venda dos materiais recicláveis cobre integralmente os custos do coprocessamento dos resíduos não recicláveis, como orgânicos de refeitório e sanitários.
Na prática, a AGV criou um ecossistema de economia circular dentro da própria unidade, demonstrando a viabilidade de unir responsabilidade ambiental e sustentabilidade financeira.
Segundo Kleber Fernandes, diretor Corporativo da Gestão Técnica da AGV Brasil & Colômbia, “nosso papel como líderes de setor vai além de oferecer um serviço logístico eficiente: temos a responsabilidade de inovar e criar modelos que sirvam de exemplo para o mercado”. O executivo complementa que “o projeto mostra nosso compromisso em transformar o setor logístico e prova que a sustentabilidade não é um custo, mas um investimento inteligente”.
Como funciona o modelo de gestão de resíduos
O sistema opera através da comercialização de materiais recicláveis como papelão, plástico e madeira. A receita gerada nessa etapa é direcionada integralmente para cobrir os custos de coprocessamento dos resíduos que não podem ser reciclados, eliminando custos adicionais para a operação.
Expansão para outras unidades no Brasil
Após validar o modelo em Vinhedo como projeto-piloto, a AGV planeja replicar a metodologia em suas demais unidades no país. A expansão pode estabelecer novo padrão operacional para o setor logístico brasileiro, demonstrando que práticas sustentáveis podem ser implementadas em escala sem comprometer a viabilidade econômica.
Crescimento das práticas ESG no mercado brasileiro
A iniciativa da AGV está alinhada com o crescimento das práticas ESG no Brasil. Conforme a pesquisa “Avanços e Desafios: A Maturidade ESG nas Empresas Brasileiras 2024”, realizada pela Nexus em parceria com a Beon ESG, 51% das empresas brasileiras declararam ter estratégia de sustentabilidade — aumento de 14 pontos percentuais entre 2021 e 2024.
O levantamento também revelou que 43% das companhias estabeleceram metas socioambientais. Atualmente, o Brasil possui 24 empresas no Anuário de Sustentabilidade 2025 da S&P Global, que reconhece as organizações com as melhores práticas de sustentabilidade.
O avanço das práticas ESG no setor logístico brasileiro reflete pressão crescente de consumidores, investidores e reguladores por operações mais sustentáveis, além de maior consciência empresarial sobre os benefícios econômicos e reputacionais de modelos ambientalmente responsáveis.
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