A Tria, nova marca brasileira no mercado de empilhadeiras, nasce com uma bagagem de 16 anos de experiência em locação de equipamentos, herdada da trajetória da SDO Equipamentos. A empresa, que desde 2008 defende a eletrificação como o futuro da movimentação de carga indoor, aposta agora na consolidação definitiva da tecnologia de lítio como motor da transição do setor.
“Desde a nossa origem, sempre focamos muito mais em máquinas elétricas do que a combustão. Acreditávamos que, cedo ou tarde, as empresas teriam que atender à legislação e partir para equipamentos mais ambientalmente corretos — o que de fato vem acontecendo”, afirma Humberto Mello, diretor da Tria.
Crescimento e consolidação
A estratégia se mostrou acertada. Segundo Mello, a antiga SDO Equipamentos, então Master Dealer da chinesa EP Forklift, registrou crescimento de 100% nas vendas entre 2022 e 2023. O desempenho se repetiu com a fundação da Tria, agora como marca própria.
Para 2025, a expectativa é de avanço superior a 20% nas vendas, impulsionado pela busca de empresas por soluções elétricas mais eficientes e sustentáveis.
Economia real e menor manutenção
Para ilustrar as vantagens práticas da transição, o executivo cita o caso de um cliente de locação que substituiu 27 empilhadeiras a gás por modelos elétricos a lítio.
Apesar de o valor da locação ter subido cerca de 50%, o retorno foi expressivo: economia de R$ 1,5 milhão em gás GLP em três anos de contrato.
“Um turno de trabalho com empilhadeira elétrica a lítio custa cerca de R$ 15, contra R$ 200 de gás para o mesmo período”, detalha Mello.
A confiabilidade dos novos equipamentos também reduziu a necessidade de suporte técnico.
Antes, a operação contava com dois técnicos residentes e um de plantão aos fins de semana.
Com os equipamentos elétricos, a equipe foi reduzida a um único técnico, sem perdas de disponibilidade.
Carga de oportunidade: o diferencial do lítio
A principal vantagem da tecnologia de lítio é a chamada “carga de oportunidade”.
Enquanto as baterias de chumbo-ácido exigem 8 horas de recarga após um turno, o lítio recupera 50% da carga em cerca de uma hora, permitindo o uso de um mesmo equipamento em três turnos sem troca de baterias.
“Isso elimina a necessidade de três baterias por máquina e simplifica a operação”, explica Mello.
Retrofit e adaptação
Além das empilhadeiras novas, a Tria também atua na substituição de baterias de chumbo-ácido por lítio em máquinas antigas.
O processo não exige adaptações no equipamento e, segundo Mello, a aceitação tem sido quase total.
“Em praticamente todos os testes, as baterias de lítio instaladas acabam ficando em definitivo — os clientes não querem devolvê-las”, comenta o executivo.
Avanço tecnológico
Durante a Intralog 2025, a Tria apresentou duas frentes tecnológicas: eletrificação e automação.
Entre as novidades, destacam-se empilhadeiras contrabalançadas elétricas com baterias de lítio de até 25 toneladas e máquinas para movimentação de contêineres de até 45 toneladas.
A empresa também exibiu uma transpaleteira autônoma, capaz de se deslocar do ponto A ao ponto B sem operador, utilizando sensores e marcadores adesivos no teto do galpão para navegação.
O próximo passo será desenvolver máquinas capazes de identificar e movimentar pallets de forma totalmente autônoma.
Transição irreversível
Para Mello, a migração para o lítio é um movimento sem retorno.
“É uma transição só de ida. A eficiência energética, a sustentabilidade e o custo operacional jogam a favor do elétrico. Não há mais espaço para voltar atrás”, afirma.
Com a experiência adquirida e a aposta antecipada no lítio, a Tria se posiciona como uma das empresas nacionais mais preparadas para o novo ciclo de eletrificação da intralogística brasileira.

