A Spark apresentou um novo equipamento voltado ao setor logístico: o MyDrone, um drone autônomo desenvolvido para realizar inventários em armazéns com segurança e precisão. O dispositivo é capaz de conferir itens em porta-pallets e verificar se os produtos estão armazenados corretamente, reduzindo tarefas que antes levavam meses para poucos dias — e com menor risco de acidentes de trabalho.
Segundo Pedro Corçaque, engenheiro do time de desenvolvimento da Spark, o equipamento opera de forma semiautônoma.
“O operador apenas posiciona o drone no início do corredor e inicia a missão pelo notebook. A partir daí, ele navega sozinho, desviando de obstáculos e pousando automaticamente caso a bateria esteja no fim. Após a troca, a missão é retomada exatamente do ponto onde parou”, explica.
O hardware do MyDrone é baseado em um modelo comercial, mas o software de controle, o sistema de navegação e o mecanismo anti-colisão foram desenvolvidos integralmente pela equipe da Spark.
“Usamos algoritmos de visão computacional tanto para leitura dos marcadores quanto para a navegação. Criamos marcadores próprios, sem dados nas etiquetas, voltados apenas ao posicionamento”, detalha Corçaque.
Na parte frontal, uma câmera captura códigos de barras e endereços de armazenagem. Já a segurança da operação é garantida por um sensor LiDAR, instalado na parte superior, que oferece visão 360° para detectar obstáculos e confirmar a presença ou ausência de paletes.
O desempenho impressiona: o MyDrone é capaz de conferir até 300 paletes por hora, dependendo das condições do armazém. Em testes realizados em um ambiente estreito — com corredores de apenas 1,90 a 2 metros de largura e racks de até 20 metros de altura — o drone manteve a produtividade prevista.
“O resultado foi até melhor do que esperávamos. Mesmo em condições desafiadoras, ele manteve o ritmo de 300 paletes por hora”, comemora o engenheiro.
Sem o uso do drone, um corredor de armazém costuma demandar duas a três pessoas — uma na empilhadeira, outra na leitura e uma terceira no controle.
“Há operações com dezenas de operadores trabalhando por meses para concluir o inventário. Com o MyDrone, conseguimos reduzir um processo de seis meses para cerca de 15 a 20 dias”, explica Corçaque.
O número de drones necessários varia conforme o porte do cliente. Há empresas com 1.000 posições que utilizam apenas uma unidade, enquanto grandes operações — com até 50 mil posições — podem adotar uma frota de dois a cinco drones. Todos os dados coletados são enviados automaticamente à plataforma My Stock, também desenvolvida pela Spark, onde gestores podem auditar informações e acompanhar o inventário em tempo real.
O desenvolvimento do MyDrone levou um ano e meio até a fase de testes com clientes e envolveu uma equipe de quatro a cinco profissionais. O modelo tem 60 cm de diâmetro, é 100% elétrico e possui decolagem e pouso verticais. Atualmente, a Spark já realiza testes piloto com duas empresas, ajustando funcionalidades a partir do uso real.
Mais do que ganho operacional, o novo drone representa um avanço em segurança e ergonomia no ambiente de trabalho.
“Já houve casos de acidentes durante inventários manuais, com operadores precisando subir até grandes alturas. O MyDrone surgiu justamente para eliminar esse risco e aumentar a acurácia das operações”, destaca Corçaque.
Com o MyDrone, a Spark aposta em uma solução que une automação, eficiência e segurança, abrindo caminho para um novo padrão na gestão de inventários logísticos no Brasil.

